É tempo de reconstruir, e ser fecundo no amor

Mensagem Litúrgica do sexto dia da Novena do Nosso Seráfico pai, São Francisco, em 2020. Primeira Leitura (Jó 9, 1-12.14-16)), Salmo Responsorial 87(88) e Evangelho (Lc 9, 57-62).

No sexto dia da Novena de São Francisco, em que o tema foi Francisco enquanto santo dos tempos de hoje, Frei Adailton Borges Gomes Junior OFMConv., Pároco na Imaculada Conceição, situada no Convento São Pedro Apóstolo, em Novo Gama-GO, presidiu a Santa Missa com a comunidade franciscana do Santuário São Francisco de Assis abrindo a reflexão explicando que falar de Francisco é falar de um santo que abalou a estrutura da Igreja. O santo que ensinou que na Igreja é que se deve buscar o pão da Palavra, que é tão pão quanto a Eucaristia.

Nessa compreensão, é possível ver um Francisco como um homem dos tempos atuais. Um santo que propicia o encontro do homem com Deus. Um santo que interpela, constantemente, no passado, no presente e no futuro, para que o homem se ressignifique. Isso porque foi o próprio Francisco que muito buscou esse significado da vida e só o encontrou, só se libertou, com a Palavra de Deus. Foi a Palavra de Deus que devolveu a Francisco a imagem e semelhança do Senhor, daquele que ama, a que homem dos tempos atuais também deve ter.

Com isso, Francisco se fez pessoa eucarística, sendo via de acesso para o conhecimento de Deus. E mesmo não sendo doutor, Francisco se faz um teólogo da espiritualidade. Foi tão capaz de compreender a Palavra de Deus que, em gratidão, cantava os louvores da criação – “irmão sol, irmã lua, irmão fogo, irmã morte” – sempre por meio da contemplação divina.

Francisco é um homem dos tempos de hoje porque convida o homem atual a reconstruir-se como ser humano, a repensar o valor do significado da vida, a reconciliar-se com Deus para viver a caridade com o irmão, ser eucaristia, para permitir que o irmão possa comungar em cada um o Cristo Jesus que se carrega em si. Isso faz da pessoa de Francisco o grande exemplo de vida, ainda hoje.

Fazer que o irmão entre no caminho de Deus, assim como Francisco, não precisa de palavras. O santo demonstrava a Palavra de Deus em sua vida, com suas atitudes. Encarnou-se arauto do Evangelho, modelo a ser seguido, mas um modelo que não deve ser distante e inacessível, e sim modelo de santidade próxima, humano. Modelo que se humaniza para reconciliar a humanidade. Francisco se construiu, por meio do verbo de Deus, essa história de amor, história de reconciliação. E embora, como o santo sempre lembrou, “o amor não é amado”, o homem precisa saber que o amor tem que ser amado, e ser amado na pessoa do outro. Que o homem precisa sair dos seus achismos, do preconceito do encontro com o outro. Precisa ser Igreja em saída, como pede o santo padre o Papa Francisco e levar o Cristo Jesus para que o outro dEle comungue.

E assim como o Francisco, que foi ao encontro do leproso, o homem de hoje precisa ir ao encontro das lepras atuais, a lepra do individualismo, do orgulho, da soberba. Precisa despertar um modo de ver e sentir que pressente todas as coisas capazes de tornar o mundo mais franciscano, por meio da caridade. Lembrando sempre de Nossa Senhora, senhora da pobreza, como ela mesmo assim o quis ser: “[…] Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a Tua Palavra (Lc 1, 38)”, e com São Jerônimo, presbítero e doutor, santo de quem hoje se faz memória, que o homem deve recordar Virgem Maria enquanto toda a Palavra de Deus. O homem que assimila a Palavra de Deus, assimila a vontade do Pai, afasta-se da soberba e se abre a Deus, fecundo no amor, assim como Maria santíssima e a ela pedindo intercessão para ser exemplo de vida evangélica.

Texto por: Letícia Oliveira | Fotos: Fernando Carlomagno

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