Como o rio se entrega ao mar

Mensagem Litúrgica da 6a Missa da Quaresma Franciscana de São Miguel Arcanjo. Primeira Leitura (Pr 21,1-6.10-13), Salmo Responsorial (Sl 118), Evangelho (Lc 8, 19-21).

Na Santa Missa da Quaresma Franciscana de São Miguel Arcanjo em que a comunidade realizou uma forte “Oração pelas Famílias”, conduzida por Frei Josué Pereira, OFMConv. do Jardim da Imaculada, Cidade Ocidental-GO, e da Comunidade Mel de Deus, a reflexão partiu do ponto da certeza de que Deus se revela no conhecimento da vida, por meio da natureza, da vivência com o irmão e com os anos de sabedoria. Essa certeza foi registrada nos livros bíblicos de Jó, dos Salmos, da Sabedoria, e dos Provérbios, cuja reflexão está na Primeira Leitura de hoje, “O coração do rei nas mãos do Senhor é como água corrente; Ele o dirige para onde quer (Pr 21, 1)”.

Nesse ato de entrega, faz-se necessário compreender que o Senhor ama o homem por primeiro e o escolheu primeiro, por puro amor. Mesmo aonde abunda o pecado, como disse São Paulo aos Romanos, é aí que “superabundou a graça” (Rm 5, 20), a misericórdia. O amor de Deus é um amor que chama e cuida, mas ele deseja que o homem se entregue, assim como o rio, que caminha para o mar. O mar de Deus é esse rio, que precisa correr, se entregar à cachoeira. Ele (Deus) não descansará, o homem não pode sair da graça de Deus e precisa fugir do pecado.

Precisa não pecar contra a pureza, pois até satanás, que apesar de ser o responsável por conduzir o homem nesse caminho, até ele tem nojo do pecado da sexualidade desenfreada, pois ela torna o homem um animal irracional, um animal capaz de fazer as piores coisas, fazer coisas piores até mesmo as que os animais fazem.

O homem precisa fugir do pecado do orgulho, que é aquele em que o homem não reconhece que está nas mãos de Deus, que só pensa na realização dos seus sonhos, que acredita que sabe o que é melhor para si, e ainda assim deseja ser uma só carne, deseja o matrimônio. Mas como um ser com um eu tão grande, com tanto orgulho, pode pensar em casamento, que é um ato de doação. O egoísmo torna o homem o ser mais solitário que existe. O que faz alguém ser feliz é o amor, a doação, a renúncia. Quem ama é feliz, acolhe, quer o bem do outro.

Quem ama não pode ainda fechar os olhos para o clamor do pobre. É necessário ajudar, porque pedir ajuda é algo humilhante e, quem ajuda não pode pensar o que o outro vai fazer com a ajuda, porque o que Deus quer é a nossa ação, espontânea, ação que não quer receber nada em troca. Deus quer que não o homem não olhe para o pecado do outro, mas sim, perdoe o irmão, pois somente dessa forma ele poderá então receber a cura. Só quem ama e perdoa é feliz!

E mesmo que o rio (homem) esteja poluído, mesmo com todas as barreiras à frente do caminho, Deus quer que ele chegue ao mar, receba o sal que purifica e santifica e traz de novo a vida. Ouvir o clamor do pobre pode ser simplesmente voltar o olhar para aquela filha rebelde, que está gritando por uma nova chance. Por isso é importante a extrema confiança em Nossa Senhora para colocá-la no controle absoluto de cada família, para que cada família possa partilhar o amor e encontrar nela própria o caminho do mar, o caminho de Deus para cada um.

Recordando a passagem bíblica de Mateus, quando o mundo tentar impedir o homem de fazer a vontade de Deus, e o inimigo usa das maiores artimanhas para tanto, “e disse-lhes alguém: Eis que estão aí fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-Te (Mt 12, 47), responda como Jesus, estendendo a mão para os seus discípulos, “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos[…], Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer um que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe (Mt 12, 48-50)”. Assim como Maria o fez, “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a Tua palavra (Lc 1, 38)”, e recomendou, “Fazei tudo o quanto Ele vos disser (Jo 2, 5)”.

O prazer e a alegria de Nossa Senhora em mostrar ao homem o seu Filho, e a de também mostrar os santos anjos do céu, São Miguel, São Rafael e São Gabriel, é mostrar que eles existem para servir o homem, e para encaminhá-lo para realizar a vontade do Pai. Se por acaso satanás, com suas tentações para fazer com que o homem perca o céu, assim como ele perdeu, o cercar, o homem deve lembrar que São Miguel Arcanjo pisou na cabeça do inimigo para que Jesus possa se aproximar, tocar e dizer: “Levantai-vos, e não tenhais medo (Mct. 17, 7)”.

Texto por: Letícia Oliveira | Fotos: Gerlania Moraes

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